Análise PESTAL
Político
Em Portugal, o sistema democrático assenta em quatro instituições autónomas e distintas detentoras de soberania. O Presidente da República, apesar das suas responsabilidades maioritariamente cerimoniais, desempenha um papel vital na representação do país. A Assembleia da República atua como órgão legislativo, onde os deputados debatem e aprovam leis, supervisionam o governo e refletem a vontade popular. O Governo, liderado pelo Primeiro-Ministro, assume a responsabilidade pela administração do país e pela implementação de políticas públicas. Adicionalmente, os tribunais, incluindo o Supremo Tribunal de Justiça, garantem a independência do sistema judicial e a aplicação da lei. Estas quatro entidades soberanas desempenham funções cruciais na preservação da democracia em Portugal.
No contexto político, vários fatores podem influenciar o mercado dos iogurtes em Portugal. A instabilidade política recente e a queda do governo podem gerar insegurança em todos os níveis organizacionais, impactando negativamente o mercado, com potenciais aumentos nos preços de produção, redução na produção e menor poder de compra. Os protestos dos agricultores, não apenas em Portugal, mas em toda a Europa, representam outro desafio, pois podem interromper a produção dos ingredientes essenciais para o fabrico do iogurte, exigindo medidas governamentais adequadas. Atrasos frequentes no reembolso do IVA no âmbito da medida IVA zero às empresas do setor de laticínios também são um problema, apesar da percepção positiva do setor sobre a medida, destacando a necessidade de continuidade e pontualidade.
Concluímos que Portugal enfrenta atualmente uma instabilidade política que pode afetar adversamente o mercado dos iogurtes, especialmente devido às necessidades dos agricultores. A incerteza quanto às respostas governamentais cria uma incógnita em relação ao futuro deste mercado. Recomenda-se, assim, um acompanhamento constante das questões políticas para compreender os potenciais benefícios e prejuízos que podem surgir a curto prazo.
Económico
A conjuntura económica em Portugal, especialmente no setor dos laticínios, enfrenta desafios significativos. A subida dos preços da energia, alimentação animal e adubos tem criado dificuldades para as empresas, refletindo-se na impossibilidade de manter os preços finais dos iogurtes, de acordo com a ANIL (Associação Nacional dos Industriais de Laticínios).
Componentes essenciais como o leite tornam-se cada vez mais dispendiosos por litro em Portugal, com uma diferença de 6,6 cêntimos em comparação com a média europeia, o que pode comprometer a rentabilidade do setor. O encerramento de mais de 7.000 explorações leiteiras em Portugal também ameaça a produção e disponibilidade de leite, fundamental para a indústria de iogurtes.
O salário mínimo médio dos portugueses, com uma média de 1085,88 euros por mês, influencia diretamente o poder de compra e, por conseguinte, a aquisição de produtos como iogurtes. A instabilidade económica, agravada pela situação política, exige uma análise cuidadosa dos custos de produção, sugerindo a adoção de métodos que reduzam os custos.
Além disso, a situação da dívida pública é motivo de preocupação, pois pode impactar negativamente nas finanças do país e na confiança do mercado financeiro. Acordos comerciais, tarifas e barreiras comerciais são elementos cruciais para as importações e exportações, tendo um papel vital na economia, uma vez que Portugal mantém fortes ligações ao comércio internacional.
Analisando dados económicos, observa-se um notável crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em Portugal, atingindo 260.631.425 em 2023. No entanto, a dívida pública e a taxa de inflação, que aumentou significativamente desde 2020 devido à guerra na Ucrânia e à pandemia do COVID-19, indicam um período de crise que se prolongará nos próximos anos.
Em suma, o panorama económico português, influenciado por fatores políticos e comerciais, destaca a necessidade de uma gestão prudente dos custos de produção e a implementação de estratégias que possam mitigar os desafios enfrentados pelo setor dos laticínios, em particular na produção de iogurtes.
Social
No contexto socio-cultural em Portugal, é crucial compreender as necessidades e hábitos das pessoas para uma análise macroambiental abrangente. Mais de metade dos portugueses, especificamente 53,2%, consome entre 4 a 12 iogurtes por semana, e 39,1% prefere iogurtes líquidos (Mais de metade dos portugueses consome entre 4 e 12 iogurtes por semana, 2021). Esse elevado consumo indica a relevância do mercado de iogurtes no país.
Além disso, há uma preferência por iogurtes sólidos, considerados mais saudáveis do que os líquidos de acordo com vários nutricionistas, que destaca a importância de atender às preocupações dos consumidores em relação à saúde. A atenção crescente a detalhes nutricionais demonstra a mudança de hábitos dos consumidores, influenciando suas escolhas alimentares para promover o bem-estar. Estes também são bastantes consumidos devido a ser um alimento de consumo rápido e pratico para consumir em casa, quer fora dela para os lanches.
As tradições e a história de Portugal, incluindo a época dos descobrimentos e a influência católica, exercem impacto nos costumes da população. A diversidade étnica em desenvolvimento contribui para uma rica tapeçaria cultural. A religião, principalmente o catolicismo, influencia práticas, festivais e valores morais na sociedade portuguesa. A situação económica do país afeta diretamente o bem-estar, acesso à educação e qualidade de vida da população, revelando a interconexão entre fatores socio-culturais e económicos.
Tecnológico
Atualmente, a tecnologia desempenha um papel cada vez mais crucial e tem experimentado um crescimento exponencial nos últimos anos. Consequentemente, as empresas estão se a tornar cada vez mais orientadas para a tecnologia, especialmente no mercado online, e, por isso, precisarão de aproveitar ao máximo as novas ferramentas digitais.
A produção de iogurte depende fortemente da inovação tecnológica, que abrange desde o processo de fabricação até a embalagem e distribuição do produto. Em Portugal, a acessibilidade a tecnologias de processamento de ponta e a equipamentos avançados pode afetar significativamente a eficiência da produção e a capacidade de inovação das empresas do setor. A implementação da automação e digitalização de processos na indústria de laticínios pode gerar benefícios substanciais, como melhor qualidade do produto, rastreabilidade e eficiência. As empresas que incorporam estas tecnologias avançadas nas suas operações podem experimentar uma melhoria significativa em termos de competitividade e rentabilidade.
Dessa forma, a tecnologia desempenha um papel fundamental na indústria de iogurtes em Portugal, impactando a eficiência da produção, a qualidade do produto e a capacidade de inovação. Os fabricantes de iogurte devem estar atentos aos fatores ambientais amplos e adotar tecnologias adequadas para se manterem competitivos e atender às demandas do mercado e dos consumidores.
Ambiental
No contexto ambiental, a produção de iogurtes em Portugal demanda especial atenção devido às crescentes preocupações ambientais, especialmente por parte dos consumidores mais jovens, que valorizam empresas ecologicamente responsáveis. A produção inadequada de iogurtes pode resultar em diversos resíduos, como detergentes, hidróxido de sódio, soro e resíduos de ricota, destacando a importância de realizar o processo de forma correta e sob a supervisão de profissionais capacitados.
Em conclusão, Portugal e a indústria de laticínios estão constantemente evoluindo em termos ambientais, trabalhando em conjunto com fatores tecnológicos para construir e utilizar maquinaria e métodos que minimizem o impacto ambiental. A busca por práticas mais sustentáveis tornou-se uma prioridade, incluindo a redução do uso de recursos naturais, a diminuição das emissões de carbono e uma gestão mais responsável de resíduos.
Legal
Do ponto de vista legal, é crucial considerar todas as regulamentações, tanto em relação ao produto quanto ao trabalho, para garantir conformidade com a legislação atualmente em vigor, especialmente no setor alimentar. Algumas leis relativas aos iogurtes incluem o Decreto-Lei n.º 282/1983, Série I de 1983-12-09, que regulamenta as características do iogurte e atualiza os critérios de qualidade para uma defesa rigorosa do consumidor. O Decreto-Lei n.º 169/1992, Série I-B de 1992-07-24, estabelece regras sobre a produção, comercialização e consumo de iogurte e leites fermentados. O Decreto-Lei n.º 45/1993, Série I-B de 1993-02-23, juntamente com a Portaria n.º 742/92, de 24 de julho, define novas regras para a produção e comercialização desses produtos, incluindo uma disposição transitória para os iogurtes meio gordo até 31 de dezembro de 1992.